segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O Nono.

Eles falavam pouco sobre si, mas sabiam muito um do outro. Eram, em partes, um mesmo ser. O mais velho estava sempre preocupado com o bem estar do mais novo. Esse, por sua vez, sentia que poderia agradá-lo. E nessa relação eles traçaram suas vidas. Um dia, decidiram ir a feira juntos. Caminhavam em silêncio, um ao lado do outro, cada qual tentando adivinhar o que o outro estava pensando. Ao chegarem a feira, a preocupação do primeiro era comprar os melhores alimentos, os mais saborosos para todos e, claro, como se fosse necessário mais agrado que sua presença, queria saber o que o outro desejava. O menor também queria atender a demanda do mais velho, escolhendo as melhores maçãs e bananas. Ao final, as duas sacolas estavam cheias de frutas, verduras e alimentos. E eles, repletos um do outro. E tomaram  o rumo para casa. Em silêncio. O mais velho satisfeito com a presença do pequeno e certo de que o melhor havia sido feito. O mais novo sentindo-se protegido e amado. Anos depois, em sua despedida final, o silêncio novamente se fez presente. Como também o mesmo sentimento de amor e cuidado com o outro. Nunca mais foram a feira, a missa ou qualquer outro lugar juntos. Restou ao mais novo as memórias do caminho e um par de sacolas vazias, ávidas para serem preenchidas com as maçãs e bananas que, agora, tornavam-se as melhores lembranças de sua infância.

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