Já se passara dez anos e a história era clássica, do início de sua carreira.
Era uma turma da antiga 6ª. série com 34 crianças, todas querendo estar em qualquer lugar do planeta - incluído aí o estado do Acre- e que pouco se interessavam pelo ciclo da cana de açúcar no Brasil colonial. Mas seu ímpeto de educador- formador-de-cidadãos-críticos-colaborativos-e-plurais o levava a dedicar-se ao máximo, sentindo-se como o bom pastor que deixa o rebanho mais comportado em busca das ovelhas extraviadas. Insistindo, começou a contar o dia a dia naquela época, como eram as vestimentas, o namoro, como as casas eram divididas, do que as crianças brincavam, o que comiam, quando, não mais agüentando de curiosidade, o pequeno ser à sua frente, com o dedo em riste, questiona: Eles comiam rabanete? Apesar do estranhamento, ele ainda parou para pensar... Não tenho certeza, Pedro. Mais um bimestre e o ciclo do ouro era a bola da vez. Sempre imbuído dos melhores sentimentos pedagógicos, teceu uma comparação com o trabalho das minas coloniais e as relações contemporâneas, dando uma pincelada inicial em Marx. E novamente o dedo de Pedro: Eles comiam rabanete? Pisoteando as obras de Vigostsky e Piaget, perdeu a paciência e questionou: Qual o seu problema com o rabanete? Você adora rabanete, odeia o rabanete, o que foi? E Pedro, tranquilamente: Não sei, nunca comi.
Pensou que talvez estivesse ficando sem paciência com crianças.
kkkkkkkkkkkk queria psicanalisar o rabanete!
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