sábado, 17 de dezembro de 2011

O Décimo Quinto.

Enquanto a noite estava quente, a rua fervia e seu corpo aguardava. Estava com os olhos vidrados naquele outro corpo. Branco, liso, macio. Os jatos d'água gelados em seu rosto o despertava do transe e da transa. Amaram-se como amantes profissionais, sem preconceito, sigilo total. Ainda sentia o cheiro dela em sua pele, a textura de seus lábios em seu corpo, sua alma em sua pélvis. Ela, satisfez-se e foi. Sem contato. Sem nome. Sem fone. Apenas a presença de seu prazer pairava naquele quarto. Com a toalha branca envolvida na cintura,  ouvia vozes entre o barulho dos motores e buzinas da 23. Vestiu-se lentamente. O contato do tecido em seu corpo lhe proporcionava o mesmo prazer que aquelas pele e boca lhe sugeriam minutos atrás. De volta ao banheiro, olhou-se no espelho, lavou o resto de sangue no braço e conferiu as marcas deixadas pela noite. A última noite dela. E apenas mais uma em sua série. O décimo quinto. Quando o allstar verde pisou na calçada veio-lhe a mesma sensação. A noite estava quente. A rua fervia.

Um comentário:

Reescrita

Recentemente percebi que palavras com "re" dão trabalho. Revendo-as  parece que as letras se encaixam perfeitamente, como se foss...